A Petrobras (PETR4) divulgou seu balanço referente ao quarto trimestre de 2024, com números operacionais recorrentes próximos das estimativas do mercado. No entanto, uma série de itens não recorrentes e investimentos, que superaram o guidance no trimestre, acabaram decepcionando e trazendo preocupações sobre a geração de caixa.
Antes, sobre os resultados, tanto Receita como Ebitda recuaram no trimestre, o que já era esperado devido à desvalorização do petróleo e queda da produção no período.
Resultado da Petrobras no 4T24 por segmento
No segmento de Exploração & Produção (E&P), a receita caiu -13% frente ao 3T24, devido aos fatores mencionados anteriormente. O Ebitda ajustado de E&P caiu ainda mais, afetado também pelo aumento dos custos de extração, paradas para manutenção e entrada em operação de novos sistemas de produção. Com esses efeitos, o Ebitda ajustado atingiu US$ 6,4 bilhões, queda trimestral de -39%.
Em Refino, o Ebitda melhorou +39% e chegou a US$ 1,5 bilhão, com aumento de +3p.p. de margem, refletindo melhores margens de comercialização no mercado interno e um efeito positivo no giro dos estoques. Sem o efeito de giro de estoques, a melhora teria sido de +6%.
Por fim, o segmento de Gás & Energia apresentou um Ebitda de US$ 368 milhões, que apesar da alta de +21%, é pouco representativo para o consolidado.
Petrobras (PETR4) apresentou prejuízo de US$ 2,7 bilhões no 4T24
Com isso, o Ebitda consolidado ajustado chegou a US$ 9,9 bilhões, queda de -15% vs 3T24, um pouco abaixo das estimativas.
No entanto, os resultados sem ajustes trouxeram mais cerca de -US$ 4 bilhões em perdas e gastos com impairment e descomissionamento de plataformas. O resultado financeiro também teve impacto não recorrente de -US$ 4,7 bilhões, devido à variação cambial sobre a dívida em moeda estrangeira.
Com esses efeitos, a Petrobras apresentou um prejuízo de -US$ 2,7 bilhões, ante um lucro líquido de US$ 5,8 bilhões no 3T24. Ajustando pelos efeitos não recorrentes mencionados, o Lucro Líquido teria sido de US$ 3 bilhões, em linha com as estimativas.
Mesmo que os números ajustados tenham vindo em linha com as expectativas, a magnitude dos impactos é um ponto que deve incomodar os investidores.
Dividendos estão ameaçados?
Além disso, chamou a atenção (por motivos ruins) os investimentos que aceleraram de US$ 4,4 bilhões no 3T24 para US$ 5,7 bilhões no 4T24, o que inclusive fez o capex estourar o guidance do ano, e pode começar a impactar o pagamento de dividendos da estatal daqui para frente.
A gestão justificou que o aumento ocorreu por conta de antecipações de investimentos que deveriam ser feitos em 2025 e que, portanto, não deveriam afetar a perspectiva de geração de caixa futura da companhia. Ainda assim, esse é um tema que volta a preocupar os investidores e que será acompanhado de perto pelo mercado nos próximos resultados.
Apesar de números operacionais recorrentes praticamente em linha, os impactos não recorrentes e o Capex devem pesar nos papéis no pregão desta quinta-feira (27). Acompanharemos de perto os desdobramentos dos resultados mas, por ora, mantemos nossa recomendação neutra.
Por Ruy Hungria